O que são os Círculos de Mulheres
Muitas ideias rondam o imaginário das pessoas em relação ao Movimento dos Círculos de Mulheres.
Você poderá encontrar mais artigos aqui: Textos para Círculos.
"O Círculo de Mulheres é uma proposta que já acontece naturalmente entre mulheres em todo o mundo, reuniões intuitivas em que o cotidiano, os ciclos e a natureza feminina é o tema central, a cura profunda é a busca para acessar bem estar e a essência de si mesma.
Os encontros são repletos de rituais, vivencias, músicas, danças, reflexões e meditações que tornam o momento mais envolvente e participativo, sempre se presa pelo respeito e a sensibilidade de que as respostas estão dentro de cada uma, portanto, não se ensina nada, apenas se oferece a companhia e coragem para despertar, não se aconselha, apenas trocas e exercício de escuta profunda. Os elementos da natureza são celebrados, a gratidão e os pedidos ao Universo são sempre lembrados e refeitos a cada encontro em que o círculo se forma."


"Os
Círculos de Mulheres expressam o mais puro renascimento de uma antiga tradição
feminina, relembrando velhos e sábios costumes de uma cultura que mora em nossa
memória ancestral, que as mulheres da antiguidade cultivavam. Elas se reúnam em
uma grande "Tenda Vermelha", que levava esse nome não tanto pelos tecidos
vermelhos que a encobriam, mas por ser o lugar onde passavam juntas os seus
ciclos de nascimento, menstruação ou quando ficavam doentes. Sim, as mulheres
recebiam a menstruação no mesmo momento do mês, na Lua Nova. A Natureza fora e
a natureza interna, a Lua do céu e a Lua interna, o útero se correspondiam, em
todas elas. Isso é muito sagrado, requer um olhar mais profundo e amoroso para
com elas. Neste período em que ficavam recolhidas, elas conversavam, contavam
de si, olhavam umas para as outras, falavam das questões comuns do clã,
silenciavam, escutavam a intuição, moviam a inspiração e os potenciais divinos
que nesta imersão e espaço tinham como fluir.

Na tenda vermelha elas cuidavam das que estavam doentes, cansadas ou com questões de difícil resolução, faziam chás, maceravam ervas, massageavam o corpo com óleos medicados, faziam incensos com ramos secos perfumados, ferviam caldeirões de caldos revigorantes em fogueiras onde o fogo dançava e elas também, dançavam, cantavam e ouviam umas as histórias das outras. As anciãs ensinavam lições preciosas. Dormiam e acordavam mergulhadas no mais puro ambiente, protegido, intenso e feminino.
Os homens as aguardavam ansiosos, pois elas traziam desses dias de recolhimento muitas respostas para questões difíceis, ideias para a agricultura e sobrevivência de todo o clã, remédios, fórmulas inspiradas, festejavam todos em grande festa. As decisões coletivas e as familiares eram trazidas por elas.
Esse movimento incrível praticado pelas nossas ancestrais denota grande respeito ao universo e potencial feminino numa sociedade.
Essa é a nossa inspiração!"
Texto extraído do Livro: Círculo de Mulheres - Diário Jornada da Heroína, (KULCHESKI, E. p. 7, 12 e 13)
Cada Círculo de Mulheres que se forma tem suas próprias características, conforme a cultura e a busca das mulheres que o compõe. Alguns vão ao encontro de saúde, outros estão mais voltados à espiritualidade, ao autoconhecimento, fortalecimento diante de sofrimentos comuns, não obstante, todos estão fluindo para o grande oceano do universo feminino, que quando desperto, dá sentido, significado a tudo, tornando a vida repleta de sentido, de propósito.
Muitas vertentes fundamentam os encontros dando direcionamentos variados também.
Vamos encontrar Círculos que utilizam as ideias da autora e psicanalista Clarissa Pinkola Estés, com sua obra Mulheres que Correm com Lobos, numa proposta Junguiana, de olhar profundamente para a misteriosa psique, traçando um grande percurso entre as estruturas internas que carregamos na mente, Ego, Self, Ânima, Ânimus, Complexos, Sombra, Arquétipos. Nosso trabalho no Círculo de Curitiba se baseia desta forma, na maioria das vezes. E a esses temas potentes, une-se a compreensão da natureza feminina, os ciclos e sua infuência na psique e sua projeção no mundo, a Correlação entre a natureza interna e a natureza da Terra, do Universo, da Lua, etc. Resumindo, seria um olhar para as relações da mulher com ela mesma, com outras pessoas, com a sociedade, com o planeta e sua natureza, com o universo e com toda a estrutura divina que percorre todas essas dimensões, dentro e fora da mulher, com ela e por ela.

Alguns Círculos são de origem Xamânica, Wicca, repletos de rituais e contemplação do feminino sob uma ótica própria, no entanto, a intuição é o elemento de conexão entre todos os tipos de Círculos. Pois essa potência feminina, a intuição, reveste os movimentos da mulher livre do patriarcado, livre de um cotidiano opressor e exageradamente "Yang", racional, masculino e exterior, que menospreza o ritmo, a dança, a liberdade, as escolhas diferentes, a natureza...
De qualquer forma, com quaisquer características que tenha seu grupo de mulheres, da sua convivência, a proposta é: criar um tempo, ciclico, periódico, para reunir mulheres e conversar sobre suas vidas, suas experiências, encontrando na intuição e não no julgamento e aconselhamento que traz respostas pontas, tentando encaixar na estrutura de todas nós, uma solução mágica a todos os nossos problemas e desafios. Não, cada uma de nós é única, podemos nos transformar a partir de uma escuta atenciosa, de uma reelaboração de nossas vidas, aprendendo umas com as outras, religando conexões perdidas com nosso Sagrado Feminino, com o nosso Sagrado Sangue, ciclico, simbólico, ritmico, de vida, de morte, de vida!
Eloisa Kulcheski
